MQL e SQL: como qualificar leads B2B com o comercial

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MQL e SQL são as duas etapas que separam um contato qualquer de uma oportunidade de venda. MQL é o lead qualificado pelo marketing: tem o perfil de quem compra de você e mostrou interesse. SQL é o lead qualificado para vendas: além do perfil, tem necessidade, alguém com poder de decisão envolvido e um prazo, e o comercial aceitou atender.

Neste artigo explicamos MQL e SQL com exemplos de empresas B2B, como definir os critérios junto com o comercial, como usar o BANT, como montar o acordo entre as áreas e quais números acompanhar. O tema faz parte do nosso guia de geração de leads B2B.

Por que separar os leads em etapas

Sem critério, todo contato vai direto para o vendedor. O resultado é conhecido: o comercial perde tempo com estudantes, curiosos e empresas fora do perfil, demora para responder quem está pronto para comprar e passa a desconfiar dos leads que o marketing entrega. Do outro lado, o marketing não sabe quais campanhas trazem venda, só quais trazem cadastro.

Separar os leads em etapas resolve as duas pontas. O marketing filtra e prepara; o comercial recebe quem tem chance real e devolve a informação do que aconteceu. Os tipos de lead e como tratar cada um estão em o que é lead.

Há ainda um ganho de previsibilidade. Com as etapas medidas, a empresa sabe quantos leads precisa gerar para chegar a uma venda e consegue planejar verba e equipe a partir da meta de faturamento, em vez de reagir ao mês que passou.

O caminho do lead até a oportunidade

A qualificação se divide entre as duas áreas, em quatro etapas:

  1. Lead: deixou contato com empresa e cargo.
  2. MQL: tem o perfil e mostrou interesse. Até aqui, quem qualifica é o marketing, pelo perfil e pelo comportamento.
  3. SQL: tem necessidade, autoridade e prazo, confirmados pelo comercial.
  4. Oportunidade: proposta em negociação. Do SQL em diante, quem conduz é vendas.
Diagrama: o marketing qualifica lead e MQL pelo perfil e interesse; vendas confirma SQL e oportunidade
MQL e SQL: o marketing qualifica pelo perfil e pelo interesse; vendas confirma necessidade e momento.

O que é MQL

MQL, sigla em inglês para lead qualificado pelo marketing, é o contato que passou por dois filtros. O primeiro é o perfil: a empresa é do setor, do porte e da região que você atende, e a pessoa ocupa um cargo que participa da compra. O segundo é o interesse: ela fez algo que indica intenção, como pedir um diagnóstico, voltar várias vezes à página de preço ou baixar um material técnico sobre o seu serviço.

Exemplo: o gerente de manutenção de uma indústria de alimentos que baixou o guia de manutenção preditiva e, na semana seguinte, visitou a página do serviço é um MQL. O estagiário de uma universidade que baixou o mesmo guia para um trabalho não é.

O que é SQL

SQL, sigla para lead qualificado para vendas, é o MQL que o comercial avaliou e aceitou como oportunidade em potencial. A diferença está na confirmação: o vendedor conversou com o lead, ou analisou as respostas do formulário, e viu que existe um problema real, alguém com poder de decisão envolvido e um prazo para resolver.

No mesmo exemplo, o gerente de manutenção vira SQL quando conta ao vendedor que a fábrica teve três paradas no último trimestre, que a diretoria pediu uma solução até o fim do ano e que ele vai levar as propostas para a aprovação. A partir daí, o próximo passo é uma proposta.

MQL e SQL lado a lado

PontoMQLSQL
Quem qualificaMarketingVendas
Com base emPerfil e comportamentoConversa e necessidade confirmada
Pergunta que respondeEsse contato tem cara de cliente?Essa empresa vai comprar, e quando?
Próximo passoContato do comercial ou nutriçãoProposta e negociação
Erro comumCritério frouxo, que manda curiosos para vendasAceitar sem conversar e enviar proposta às cegas

Como definir os critérios de MQL

Os critérios nascem dos clientes que a empresa já tem. Olhe os contratos dos últimos anos e responda: de que setores e portes eram as empresas que mais compraram e deram menos trabalho? Quem participou da decisão? O que essas pessoas fizeram antes de pedir proposta?

Com as respostas, escreva duas listas curtas. A de perfil, com setor, porte, região e cargos. A de comportamento, com as ações que indicam interesse real: pedido de diagnóstico, visita à página de preço, resposta a um e-mail, participação num webinar. Um contato vira MQL quando atende ao perfil e a pelo menos uma ação de interesse.

Quando o volume de leads cresce, vale transformar essas listas em pontos, com um limite a partir do qual o lead vai para vendas. O método está explicado em lead scoring.

Como confirmar um SQL: o critério BANT

Para decidir se um MQL vira SQL, muitas equipes usam o BANT, um roteiro com quatro perguntas:

  • Orçamento: a empresa tem verba ou consegue aprovar o investimento?
  • Autoridade: quem está conversando participa da decisão ou sabe quem decide?
  • Necessidade: o problema existe e incomoda o suficiente para ser resolvido?
  • Prazo: quando pretendem resolver?

Ninguém precisa das quatro respostas no primeiro minuto. O vendedor conduz a conversa para entender a situação e, no fim, registra no CRM o que descobriu. Se faltar orçamento ou prazo, o lead volta para a nutrição, com uma data para nova conversa.

Roteiro da conversa de qualificação

A conversa que transforma MQL em SQL não é um interrogatório. O vendedor quer entender a situação do cliente e ver se faz sentido seguir. Perguntas abertas funcionam melhor do que perguntas de sim ou não:

  • O que levou a empresa a procurar uma solução agora?
  • Como vocês resolvem isso hoje, e o que não está funcionando?
  • O que acontece se nada mudar nos próximos meses?
  • Quem mais participa da decisão, e como costuma ser o processo de aprovação?
  • Existe um prazo ou um evento que torna o assunto urgente?
  • Já existe uma ideia de investimento, ou isso ainda vai ser definido?

As respostas vão para o CRM em campos simples, para que a proposta seja feita com base no que o cliente disse e para que o marketing aprenda quais problemas mais trazem vendas.

Como o marketing gera MQL melhores

O critério de MQL filtra, mas não cria leads bons. Quem cria é a campanha. Três ajustes melhoram a qualidade do que chega: público de anúncio restrito ao perfil de quem compra, com palavras-chave negativas e segmentação por cargo e setor; ofertas mais perto da venda, como diagnóstico e demonstração, ao lado dos materiais educativos; e formulários com uma pergunta de qualificação, que ajudam o próprio lead a se identificar.

O retorno do comercial fecha o ciclo. Quando o marketing vê que leads de uma campanha são recusados pelo mesmo motivo, corrige o público ou a mensagem daquela campanha, em vez de continuar pagando por contatos que não vendem.

O acordo entre marketing e vendas

MQL e SQL só funcionam quando as duas áreas combinam as regras por escrito. O acordo, que muitas empresas chamam de SLA, costuma ter cinco pontos:

  1. O que é um MQL, com os critérios de perfil e de interesse.
  2. Em quanto tempo o comercial faz o primeiro contato com cada MQL.
  3. Quantas tentativas de contato acontecem antes de devolver o lead ao marketing.
  4. Os motivos padronizados para recusar um lead, registrados no CRM.
  5. Uma reunião mensal para revisar números e critérios.

O tema completo está em por que marketing e vendas andam juntos.

O que fazer com os leads que não viram SQL

Lead recusado não é lixo. Se o motivo foi o momento, ele volta para a nutrição, com conteúdos e uma data para nova conversa. Se foi o perfil, ele sai das campanhas, e a informação ajuda o marketing a ajustar o público dos anúncios. Por isso o motivo da recusa precisa ser registrado com opções fechadas no CRM, e não num campo de texto livre que ninguém lê. A nutrição desses leads é parte do inbound marketing B2B.

MQL e SQL no CRM

O CRM precisa refletir as etapas: um campo de etapa do lead, com lead, MQL, SQL e oportunidade; a data de cada mudança; o responsável; e o motivo de recusa. Com isso, os relatórios mostram quanto tempo cada etapa leva e onde os leads param.

O passo seguinte é devolver essas etapas para as plataformas de anúncio. Quando o Google Ads recebe a informação de quais cliques viraram SQL e contrato, as campanhas passam a buscar quem compra, como mostramos em conversões off-line.

Métricas da qualificação

  • Taxa de lead para MQL: mostra se as campanhas atraem o perfil certo.
  • Taxa de MQL para SQL: mostra se o critério de MQL está calibrado com o que vendas aceita.
  • Taxa de SQL para oportunidade e para contrato: mostra a eficiência do comercial e da proposta.
  • Tempo até o primeiro contato: mostra se o acordo entre as áreas está sendo cumprido.
  • Custo por SQL: mostra quanto custa, em mídia e esforço, cada lead que o comercial aceita.

Para montar o painel com essas métricas, veja o guia sobre o que é KPI.

Sinais de que os critérios precisam de ajuste

  • Muitos MQL recusados por vendas: o critério de MQL está frouxo, ou o público dos anúncios está amplo demais.
  • Poucos MQL e vendas sem trabalho: o critério está rígido demais, e leads bons estão parados na nutrição.
  • SQL que não vira proposta: a conversa de qualificação não está confirmando necessidade e prazo.
  • Motivos de recusa vazios: ninguém consegue aprender com os leads perdidos.

Exemplos por tipo de empresa B2B

Indústria

MQL é o comprador ou engenheiro de uma empresa do setor atendido que pediu cotação ou ficha técnica. Vira SQL quando o vendedor confirma volume, aplicação e prazo de compra.

Serviços para empresas

MQL é o gestor de uma empresa do porte certo que pediu diagnóstico. Vira SQL quando a conversa confirma o problema, quem aprova a contratação e quando o serviço precisa começar.

Software

MQL é quem fez cadastro para o teste e usou o produto nos primeiros dias. Vira SQL quando a demonstração confirma que a empresa tem o problema que o software resolve e um responsável pela decisão.

Exemplo completo: do lead ao contrato

Imagine uma empresa de automação industrial. Uma engenheira de processos de uma fábrica de embalagens baixa um guia sobre redução de paradas de linha. O perfil confere: setor atendido, porte certo, cargo técnico. Mas ainda não há sinal de compra, e ela entra na nutrição.

Duas semanas depois, ela volta ao site, lê o caso de uma fábrica parecida e pede um diagnóstico. Agora é MQL, e o CRM avisa o vendedor da região. Na conversa, ele descobre que a fábrica vai ampliar uma linha no próximo semestre, que o gerente industrial aprova o projeto e que existe verba prevista. O lead vira SQL, e a visita técnica é marcada.

A proposta sai depois da visita e vira contrato dois meses depois. No CRM, a oportunidade fica ligada à campanha que trouxe o primeiro contato, e o marketing sabe que aquele guia e aquele anúncio trazem vendas, e não só downloads.

Ferramentas para organizar a qualificação

Um CRM com etapas personalizáveis é o mínimo. Uma ferramenta de automação de e-mail ajuda a nutrir quem ainda não é MQL e a pontuar o comportamento. O formulário do site precisa mandar os dados ao CRM com a origem, e um painel no Looker Studio, ou no próprio CRM, mostra as taxas de cada etapa para a reunião mensal.

Como começar em 30 dias

  1. Semana 1: analisar os clientes atuais e escrever os critérios de perfil e de interesse.
  2. Semana 2: criar no CRM os campos de etapa, data e motivo de recusa.
  3. Semana 3: combinar com o comercial o prazo de contato e o roteiro de qualificação.
  4. Semana 4: rodar o processo e marcar a primeira reunião de revisão com os números.

Erros comuns com MQL e SQL

  • Critérios que só o marketing conhece. Vendas não confia no que não ajudou a definir.
  • Medir o marketing por número de MQL. Incentiva o critério frouxo; meça por SQL e oportunidade.
  • Nenhuma devolutiva do comercial. Sem motivo de recusa, o marketing repete os mesmos erros.
  • Demora no primeiro contato. Um MQL que espera dias esfria.
  • Critérios que nunca mudam. O mercado e a oferta mudam; os critérios precisam acompanhar.

Qualificação de leads com a North Star

Na North Star Growth, a definição de MQL e SQL é uma das primeiras entregas do trabalho de marketing de performance: escrevemos os critérios com o seu comercial, configuramos o CRM e ligamos as etapas às campanhas, para que o relatório mostre quanto custou cada oportunidade. Veja também como trabalhamos com marketing para empresas B2B.

Perguntas frequentes sobre MQL e SQL

É o lead qualificado pelo marketing: tem o perfil de quem compra de você e fez alguma ação que indica interesse, como pedir um diagnóstico ou visitar a página de preço.

É o lead qualificado para vendas: o comercial confirmou necessidade, alguém com poder de decisão envolvido e prazo, e aceitou o lead como oportunidade em potencial.

O MQL é qualificado pelo marketing com base em perfil e comportamento. O SQL é confirmado por vendas com base numa conversa sobre necessidade e momento de compra.

Marketing e vendas juntos, a partir dos clientes que a empresa já tem. Critério definido só por uma área costuma gerar desconfiança na outra.

É um roteiro de qualificação com quatro perguntas: orçamento, autoridade, necessidade e prazo. Ajuda a decidir se um MQL vira SQL.

Registrar o motivo da recusa e, se o problema foi o momento, devolver o lead para a nutrição com uma data para nova conversa.

É o acordo escrito que define o que é um MQL, em quanto tempo vendas faz contato, quantas tentativas acontecem e como os leads são devolvidos.

Não há número universal. O importante é acompanhar a taxa ao longo do tempo e investigar quando ela cai, olhando os motivos de recusa.

Não. A pontuação transforma os critérios de perfil e de interesse em números, para decidir automaticamente quando o lead vai para vendas.

Algumas empresas usam o SAL, lead aceito por vendas, como etapa entre MQL e SQL, para registrar que o comercial recebeu e vai trabalhar o lead.

Com um campo de etapa, a data de cada mudança, o responsável e o motivo de recusa com opções fechadas.

Porque mostra quanto custa cada lead que o comercial aceita, o que é mais próximo da venda do que o custo por lead.

Uma revisão mensal com os números costuma ser suficiente para ajustes. Mudanças de oferta ou de mercado pedem revisão na hora.

Servem. Mesmo com poucos leads, critérios escritos e um prazo de contato evitam que oportunidades boas se percam.

Perguntas abertas sobre o motivo da busca, a solução atual, o impacto de não mudar, quem decide, o prazo e a ideia de investimento.

Restringindo o público dos anúncios ao perfil de quem compra, oferecendo ofertas mais perto da venda e usando o retorno do comercial para corrigir campanhas.

Ajudam. Com as taxas de cada etapa medidas, dá para calcular quantos leads e quanto de verba são necessários para chegar à meta de vendas.

Ajuda. Escrevemos os critérios com o seu comercial, configuramos o CRM e ligamos as etapas às campanhas.

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