North Star Metric: o que é e como escolher a métrica norte da empresa

slide azul

Compartilhe:

Neste artigo

North Star Metric, ou métrica norte, é o número que melhor representa o valor que a empresa entrega aos clientes e que, quando cresce, indica que o negócio está crescendo de forma sustentável. Ela funciona como a estrela que orienta a navegação: todas as áreas olham para ela antes de decidir o que fazer, e cada iniciativa é avaliada pelo quanto move esse número.

Neste guia explicamos o que é a North Star Metric, os critérios para escolher a sua, as métricas de entrada que a sustentam, exemplos de empresas B2B, como usá-la no dia a dia e os erros mais comuns. O conceito é uma das bases do growth marketing.

Ela não substitui o planejamento nem os indicadores de cada área. O que muda é a ordem das perguntas: antes de discutir a meta do marketing ou do comercial, a empresa pergunta o que vai fazer a métrica norte crescer, e as metas de cada área passam a ser consequência dessa resposta.

O que é a métrica norte

Toda empresa acompanha dezenas de números: visitas, leads, propostas, vendas, faturamento, satisfação. O problema é que cada área costuma escolher os seus, e eles nem sempre apontam para o mesmo lado. O marketing comemora mais leads, o comercial reclama da qualidade, o atendimento luta contra cancelamentos.

A métrica norte resolve isso escolhendo um número só, que traduz o valor que o cliente recebe. Se ele cresce, os clientes estão tirando mais proveito do que a empresa vende, e a receita tende a acompanhar. Os outros números continuam existindo, mas passam a ser lidos pelo efeito que têm sobre ela.

De onde vem o termo

O nome North Star Metric vem do vocabulário de growth, que se espalhou a partir de empresas de tecnologia. A imagem é a da estrela do norte, que os navegadores usavam para se orientar: ela não diz cada passo do caminho, mas mostra a direção. Em português, o termo aparece como métrica norte ou métrica estrela-guia. O nome importa menos do que a ideia: um número que orienta todas as decisões.

Como escolher a métrica norte

Quatro critérios ajudam na escolha, dois sobre o número e dois sobre o uso:

  1. Valor para o cliente: mede o que o cliente recebe, e não só o que a empresa ganha.
  2. Ligado à receita: cresce junto com o faturamento ao longo do tempo. Esses dois são os critérios do número.
  3. Entendido por todos: cada área sabe como pode mover o número.
  4. Acompanhado toda semana: muda num ritmo que permite agir e guia prioridades e testes. Esses dois são os critérios do uso.
Diagrama: a métrica norte mede o valor para o cliente, cresce com a receita, é entendida por todas as áreas e acompanhada toda semana
Como escolher a métrica norte: dois critérios para o número e dois para o uso no dia a dia.

Por que não usar o faturamento como métrica norte

O faturamento é a consequência, e não o caminho. Ele demora a reagir, mistura efeitos de preço, sazonalidade e contratos antigos, e não diz às equipes o que fazer na segunda-feira. Uma métrica norte boa mede o valor entregue que gera o faturamento e responde mais rápido às ações da empresa.

O mesmo vale para números de vaidade, como seguidores, visitas e downloads. Eles podem crescer sem que nenhum cliente ganhe nada com isso, e uma métrica norte construída sobre eles leva a empresa a otimizar o que não importa.

Métricas de entrada: o que move a métrica norte

A métrica norte é um resultado. Para movê-la, a empresa trabalha as métricas de entrada, que são os fatores que a compõem. Se a métrica norte de uma empresa de serviços recorrentes for “clientes ativos com entregas no prazo no mês”, as métricas de entrada podem ser:

  • Novos clientes ativados: quantos começaram a receber o serviço no mês.
  • Entregas no prazo: a proporção de entregas feitas dentro do combinado.
  • Clientes retidos: quantos continuaram de um mês para o outro.
  • Clientes reativados: quantos voltaram depois de uma pausa.

Cada área assume uma ou mais métricas de entrada. O marketing e o comercial cuidam dos novos clientes; a operação, das entregas; o atendimento, da retenção. Todos sabem como contribuem para o mesmo número.

Exemplos de métrica norte em empresas B2B

Os exemplos abaixo são ilustrativos. A métrica certa depende de como cada empresa entrega valor.

Software para empresas

“Empresas que usaram a função principal do sistema na semana.” Mede uso real, que é o valor para o cliente, e antecipa renovação e expansão de contrato.

Serviços recorrentes

“Clientes ativos com entregas no prazo no mês.” Junta base de clientes e qualidade da entrega, que decide a renovação.

Indústria com venda recorrente

“Clientes que fizeram pedido de reposição no trimestre.” Mostra que o produto está sendo usado e que o cliente voltou a comprar.

Consultoria por projeto

“Projetos entregues com o resultado combinado atingido.” Mede o que o cliente contratou, e não só horas vendidas.

Passo a passo para definir a sua

  1. Descreva o valor que o cliente recebe em uma frase, com as palavras dele.
  2. Liste os momentos em que esse valor acontece: o uso do produto, a entrega do serviço, o pedido de reposição.
  3. Escolha o momento que mais se liga à renovação e à receita e transforme-o num número que dá para medir toda semana.
  4. Confira os critérios: valor para o cliente, ligação com a receita, entendimento por todos e ritmo de acompanhamento.
  5. Defina as métricas de entrada e quem cuida de cada uma.
  6. Teste por um trimestre e ajuste se o número não se mostrar útil para decidir.

Como usar a métrica norte no dia a dia

  • Painel único: a métrica norte e as métricas de entrada num lugar que todos acessam.
  • Reunião semanal curta: o número da semana, o que mudou e por quê.
  • Priorização: ideias e projetos são avaliados pelo quanto podem mover as métricas de entrada.
  • Experimentos: cada teste declara qual métrica de entrada pretende mover e em quanto.
  • Revisão trimestral: a métrica ainda representa o valor entregue?

Esse ritual é o centro do método de growth. O ciclo de hipótese, teste e análise ganha direção quando todos sabem qual número estão tentando mover.

Metas para a métrica norte

Com a North Star Metric escolhida, a empresa define aonde quer chegar. A meta parte do histórico: como o número se comportou nos últimos meses e quanto as métricas de entrada podem melhorar com os projetos planejados. Metas irreais, sem relação com o histórico, desanimam a equipe; metas fáceis demais não mudam nada. Um bom caminho é definir a meta do trimestre e acompanhar a tendência semana a semana, em vez de reagir a cada oscilação.

Métrica norte, KPI e OKR

A métrica norte é um KPI especial: o principal, aquele que orienta os outros. Os KPIs de cada área continuam existindo e passam a ser lidos como métricas de entrada ou de apoio, como explicamos em o que é KPI. Os OKRs, quando a empresa usa, viram a forma de definir metas trimestrais para as métricas de entrada, em vez de metas soltas para cada área.

Métrica norte no marketing B2B

No marketing, a métrica norte muda a pergunta. Em vez de “quantos leads trouxemos?”, a pergunta passa a ser “quantos clientes que tiram valor do produto vieram de cada canal?”. Isso leva a medir além do formulário: qualificação, como em MQL e SQL, venda, ativação e permanência. Campanhas que trazem clientes que ficam valem mais do que campanhas que trazem muitos contatos que não compram, ou compram e saem.

Por isso o marketing de performance, focado no custo de aquisição, e o growth, focado no funil inteiro, se completam, como mostramos em growth marketing e marketing de performance.

A métrica norte e o comercial

Para o comercial, a North Star Metric muda o que conta como boa venda. Fechar um contrato com um cliente que não vai usar o serviço, ou que vai cancelar em poucos meses, aumenta a meta do mês e não move a métrica norte. Quando o número escolhido mede valor entregue, a venda boa passa a ser a que traz clientes com perfil para ficar, e a conversa entre comercial e operação melhora: os dois respondem pelo mesmo resultado.

Na prospecção, isso aparece nos critérios de qualificação. Empresas com o perfil dos clientes que mais tiram valor do serviço ganham prioridade, e as que costumam sair cedo recebem uma conversa mais cuidadosa antes da proposta.

Exemplo: uma empresa de manutenção com contratos mensais

Imagine uma empresa de manutenção predial que atende condomínios comerciais com contratos mensais. O marketing media leads, o comercial media contratos fechados, a operação media chamados atendidos. Cada área batia a sua meta, e mesmo assim a base de clientes não crescia, porque muitos cancelavam no primeiro ano.

A empresa escolheu como métrica norte “contratos ativos com atendimento dentro do prazo no mês”. As métricas de entrada passaram a ser contratos novos, chamados resolvidos no prazo e renovações. Na primeira revisão, ficou claro que o maior ganho estava no prazo de atendimento dos primeiros meses de contrato, quando a maioria dos cancelamentos acontecia. O teste seguinte foi um acompanhamento especial nos noventa primeiros dias, e não mais verba de anúncio.

North Star Metric em empresas pequenas

A North Star Metric não é coisa só de empresa grande. Numa empresa com poucas pessoas, ela tem até mais efeito, porque cada um faz várias funções e precisa saber o que priorizar. O cuidado é manter o número simples, medido com os dados que já existem, como o CRM e o controle de entregas, e acompanhado numa conversa rápida por semana, sem painéis complexos.

Como apresentar a métrica para a equipe

A métrica norte só funciona se as pessoas entenderem por que ela foi escolhida e como podem influenciá-la. Na apresentação, explique o valor que ela representa para o cliente, mostre como se liga à receita, apresente as métricas de entrada e quem cuida de cada uma e combine o ritual de acompanhamento. Depois, use o número em todas as reuniões, até ele virar parte da linguagem da empresa.

Sinais de que a métrica escolhida está errada

  • O número sobe e a receita não acompanha por vários meses.
  • Ninguém sabe o que fazer para movê-lo. A métrica está longe demais do trabalho das equipes.
  • Ele muda tão devagar que não serve para decidir nada no mês.
  • Ele pode ser inflado sem gerar valor, como contar cadastros que nunca usam o produto.
  • As áreas continuam discutindo números diferentes nas reuniões.

Qualquer um desses sinais pede uma revisão na escolha, de preferência no fim do trimestre de teste.

Erros comuns ao escolher a métrica norte

  • Escolher o faturamento. É consequência e não orienta o dia a dia.
  • Escolher números de vaidade. Visitas e seguidores crescem sem que o cliente ganhe nada.
  • Ter várias métricas norte. Se tudo é prioridade, nada é.
  • Escolher um número que ninguém consegue mover. A equipe perde o interesse.
  • Nunca revisar. Quando o negócio muda, a métrica também pode precisar mudar.
  • Esquecer as métricas de entrada. Sem elas, a métrica norte vira só um número no painel.

Como medir sem complicar

A métrica norte precisa vir de dados confiáveis e fáceis de atualizar: o CRM para contratos e renovações, o sistema de atendimento para prazos, o próprio produto para uso. Um painel no Looker Studio, ou no próprio CRM, junta tudo num lugar. Se o número exige uma planilha montada à mão toda semana, ele vai deixar de ser acompanhado.

Quando trocar a métrica norte

A métrica norte não é eterna. Uma empresa que muda de modelo, por exemplo de projetos avulsos para contratos recorrentes, provavelmente precisa de outro número. Também vale trocar quando a métrica deixa de se ligar à receita, ou quando a equipe já domina as métricas de entrada e o crescimento passa a depender de outra etapa. A troca deve ser rara e explicada a todos.

Checklist da North Star Metric

  1. O número mede o valor que o cliente recebe.
  2. Ele se liga à receita ao longo do tempo.
  3. Todas as áreas sabem como podem movê-lo.
  4. Ele é medido toda semana com dados confiáveis.
  5. As métricas de entrada estão definidas, com responsáveis.
  6. Existe um ritual semanal de acompanhamento.
  7. A escolha é revisada a cada trimestre.

Métrica norte com a North Star Growth

Na North Star Growth, definir a métrica norte é um dos primeiros passos do trabalho de growth marketing: escolhemos o número com a diretoria, desdobramos as métricas de entrada, montamos o painel e organizamos o ciclo de testes em torno dele. A métrica norte também orienta o plano de geração de leads B2B e a leitura do ROAS de cada canal.

Perguntas frequentes sobre North Star Metric

É a métrica norte: o número que melhor representa o valor que a empresa entrega aos clientes e que, quando cresce, indica crescimento sustentável do negócio.

Para alinhar todas as áreas em torno de um mesmo número e avaliar ideias, projetos e testes pelo quanto movem esse número.

Não é o ideal. O faturamento é consequência, demora a reagir e não orienta o trabalho do dia a dia.

São os fatores que compõem a métrica norte, como novos clientes, uso, entregas no prazo e retenção. Cada área cuida de uma ou mais delas.

Descrevendo o valor que o cliente recebe, escolhendo o momento que mais se liga à renovação e à receita e transformando-o num número medido toda semana.

Não deveria. Várias métricas norte voltam ao problema de cada área olhar para um número diferente.

A métrica norte é o KPI principal, que orienta os outros. Os demais KPIs viram métricas de entrada ou de apoio.

Funciona. Exemplos ilustrativos: empresas que usaram a função principal do sistema na semana, ou clientes ativos com entregas no prazo no mês.

Toda semana, numa reunião curta, com revisão trimestral para conferir se ela ainda representa o valor entregue.

Quando o modelo de negócio muda ou quando ela deixa de se ligar à receita. A troca deve ser rara e explicada a todos.

Tem. Ela dá direção ao ciclo de experimentos do growth: cada teste declara qual métrica de entrada pretende mover.

Raramente. Leads podem crescer sem que nenhum cliente receba valor. É mais útil como métrica de entrada.

Juntando dados do CRM, do atendimento e do produto num painel atualizado automaticamente, como o Looker Studio.

A diretoria, com a participação das áreas que vão cuidar das métricas de entrada.

Do vocabulário de growth. A imagem é a da estrela do norte, que orientava os navegadores: ela mostra a direção, e não cada passo.

Ajuda bastante, porque cada pessoa faz várias funções e precisa saber o que priorizar. O número deve ser simples e medido com os dados que já existem.

Quando o número sobe e a receita não acompanha, quando ninguém sabe como movê-lo ou quando ele pode ser inflado sem gerar valor.

Muda o que conta como boa venda: clientes com perfil para ficar e tirar valor do serviço passam a valer mais do que contratos que cancelam cedo.

Ajuda. É um dos primeiros passos do nosso trabalho de growth marketing, junto com o painel e o ciclo de testes.

Preencha o formulário abaixo para receber o contato de nossos consultores.